14 de out. de 2011

A noite mais longa do ano

Noite fria de inverno. A neve já caía sobre os telhados das casas. Todos pareciam dormir, mas havia alguém andando pela rua. Um homem alto, com uma capa preta e um chapéu. Ele caminhava vagarosamente pela rua, como se estivesse procurando alguém.

Enquanto isso, algumas quadras adiante, um outro homem parecia estar inquieto. Olhava para os lados desesperadamente. Também estava vestido todo de preto, mas com uma maleta nas mãos. A abraçava como se tentasse escondê-la. Não se podia reconhecer nenhum dos homens.

Encontraram-se, finalmente. Na hora do encontro, pareciam se preocupar a cada ruído feito pelo vento. O homem que antes segurava a maleta, agora a entregava para o outro, que parecia estar conferindo o material. Nem se quer se despediram. Viraram-se e andaram em sentido oposto.

Um barulho estrondoso cortou o silêncio da noite. Parecia ser um tiro. Eu estava em meu quarto observando os homens. O tiro pareceu ter vindo do prédio da frente ao meu. De repente, um grito quebrou novamente o silêncio. Pensei em ligar para a polícia, mas achei melhor não. Com certeza precisariam de testemunhas. Teria o tiro algo a ver com os homens parados ali há pouco? Teria o grito algo a ver com o tiro?

Não demorou muito, a rua estava interditada pelos camburões da polícia e ambulâncias. Mas se houvesse suspeito, por onde teria fugido? Pela porta da frente não poderia ter sido, eu teria visto. Comecei observar os gestos dos policiais enquanto interrogavam o porteiro. Ninguém havia saído do prédio, nenhum sinal de feridos.

De repente, um dos policiais caminhou em direção ao meu prédio. Fechei as cortinas rapidamente, mas era tarde. Não tardou e já batiam em minha porta. Receei em ir até lá. Olhei pelo olho-mágico e um policial estava ali parado. Abri a porta e ele começou a me interrogar. Fez várias perguntas, olhou meu apartamento e constatou que eu não poderia ser suspeito. Caminhou até minha escrivaninha e viu minhas anotações. Eu tinha anotado todos os movimentos feitos pelos homens. O policial pegou os papéis sem dizer nada e saiu do prédio. Segui o guarda até o prédio vizinho. Nesse exato momento, retiravam o corpo de um ex-policial, que havia se aposentado havia alguns anos.

Aquela pareceu ser a noite mais longa do ano. Amanheceu e todos ficaram sabendo do assassinato. Fui até o cemitério. Novamente vi os homens da noite anterior, mas dessa vez, não havia maleta. Eles caminharam até a família do falecido e lhe entregaram um papel. Depois que se retiraram fui até uma moça, que parecia ser filha do policial. Perguntei o que os homens queriam e ela me mostrou o papel. Nele estava escrito um testamento. Após mostrar-me o que havia no papel, a moça disse assim:

- Meu pai sabia que ia morrer. Por isso contratou aqueles homens para guardarem o testamento dele. Infelizmente, a morte do papai já estava marcada há muito tempo.

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